Amantes da moda versus Fashion Victims

Já escrevi aqui sobre as fast fashions e o lado bom e o ruim. Hoje vou escrever algo um tanto parecido, mas mais especificamente sobre a linha tênue que separa um amante da moda de um fashion victim.

P/ começar do começo,temos o capitalismo. Basicamente tudo que temos ao nosso redor foi resultado dele, as coisas boas e as ruins. Sabemos o quanto é bom poder ter acesso à informação de maneira tão rápida como nunca tivemos antes, e podemos falar com pessoas em qualquer parte do mundo, basta que ambas estejam conectadas. Isso é maravilhoso! Mas também sabemos da parte ruim. Quando nosso computador ou celular começa a dar problema nós o trocamos, normal. Mas e quando essa troca começa a ser “necessária” sem motivos especiais? e quando começa a haver a troca só pq algo novo foi lançado? Essa é a parte ruim. Nós temos que comprar mais para manter a indústria, mas para comprarmos precisamos da necessidade. O que nos dá essa necessidade? a chuva de propagandas que nos atinge a todo momento. E quanto mais competitividade, mais propagandas sedutoras p/ te arrastar ao outro lado da força. E essas propagandas precisam ser assim, caso contrário a coisa não flui.
A maioria sabe lidar mais ou menos com isso. Sabe que, a não ser que viva de renda ou tenha muito muito dinheiro, não pode comprar algo só pq o que tem saiu de moda, sabe que coisas bem cuidadas duram mais e necessitam menos serem trocadas. Então essas pessoas sabem na maioria das vezes filtrar as informações, pesquisar preços,ver a real necessidade.

Mas alguns sucumbem. Por diversos motivos, dentre eles o principal é o meio que estão. As pressões externas têm muita influência no consumismo. As exigências muitas vezes são grandes, e isso ajuda a aumentar o stress, a ansiedade e até depressão, que podem ser “aliviados” também  no ato de comprar algo. Quando isso acontece, há o consumo indiscriminado, muitas vezes além do que se pode pagar.

Isso está  intimamente ligado ao Fashion Victim. Mas não sempre. Muitos FV são podres de ricos e podem realmente ter 1000 pares de sapatos…

O foco aqui são fashion victims em geral: pessoas que tentam consumir todas as coisas possíveis que a indústria da moda oferece,sem levar em conta um gosto pessoal, se cai bem, o que importa é estar “na moda” mesmo que usar tudo junto beire o ridículo. E com as fast fashions e a globalização da informação, isso se torna ainda mais agravado.

Amantes da moda gostam de ver o que é produzido, na maioria das vezes gostam também de conhecer todo o processo de produção (por exemplo, como surgem as tendências,a história das peças, a cultura por trás disso, a produção dos desenhos, a produção das peças, a produção do editorial de divulgação…). Estes sabem que a indústria da moda como um todo oferece várias possibilidades e usam isso a seu favor.
Ora, se há cada mês surge algo novo isso deveria ser algo bom por possibilitar que diferentes pessoas com diferente poder aquisitivo tenham acesso ao que lhes agrade usar.
Seria ótimo se fosse assim e não sair por aí e ver 1209810982372476 pessoas usando a MESMA coisa do MESMO jeito (alfinetada no combo balada+saia preta de cintura alta+regata branca+saltão que a pessoa nem sabe andar)  e ás vezes tudo ao mesmo tempo, ficando algo completamente impessoal e,diga-se de passagem, ridículo. Assim, o que era p/ ser uma extensão de nós, como nos comportamos, vemos e pensamos o mundo, acaba sendo algo extremamente padronizante (muito além do normal), uma indústria de manequins vazios.

Meus bens,o nome disso não é moda, é consumismo.