Fast Fashion: o descartável?

Todo mundo já ouviu falar do tubinho preto,scarpin, do jeans de todo dia, da camisa branca e afins.

E creio que todo mundo já tenha ouvido falar de itens Fast Fashion, e sabe diferenciar dos clássicos.

E que todos estão habituados ao nome consumismo.

Que nós precisamos comer, beber, nos vestir, dormir todo mundo sabe também, mas COMO faremos isso, em nossa sociedade, é o que interessa ao mercado. É estudar o que motiva as pessoas a escolherem A ou B e agir com base nisso.

É nisso que se baseia o Fast Fashion: atender ao máximo as demandas por novidades por parte dos consumidores, gerando roupas quase que descartáveis que poucas vezes serão usadas.

Com o número cada vez maior de blogs e sites de moda as pessoas podem saber agora o que pessoas do outro lado do mundo estão vestindo. Street style e blogs pessoais mostram bem isso. Muitas vezes são mostradas as “tendências”, que se repetem pelo mundo virtual a fora. Com tantas das peças são de marcas caras comofas p/ @ mocinh@ do Brasil que vive da mesada dos pais usar uma daquelas peças que custam os olhos da cara? Como ter acesso às coisas que só vendem fora do país? P/ isso servem as lojas de fast fashion. É tudo junto: eficiência, preço baixo, rapidez e novidades, o tempo todo. É tentar tirar o movimento focado só em promoções para que se torne um movimento constante nas lojas.

Viu os passarinhos e gatinhos da Miu Miu? pouco tempo depois se encontravam aos montes em lojas como H&M e Zara.

Viu o nude? começou aqui e ali, aparecendo aos poucos em blogs e desfiles, depois estávamos mergulhados no mundo-bege-baixo-contraste.

Por um lado, é muito legal poder ter aquelas peças que há um tempo atrás seria impossível encontrar com preços acessíveis. Entretanto tem o outro lado: roupas descartáveis,  sem sentido, falta de originalidade, tudo efêmero.

Disse Chanel “Sou contra a moda que não dure. É o meu lado masculino. Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora só porque é primavera.”

Também penso assim. Não me faz sentido comprar uma roupa p/ usar uma estação e depois aposentar. Então me vem mais algo à cabeça: com todo o consumismo, clamor por novidades todo o tempo, internet “dando” estilos prontos. onde fica o ato criativo? a originalidade? ou o que chamam de estilo?

Sim, é possível aliar as coisas mas, o que vejo não é bem assim. Não raro encontro várias pessoas usando a mesma combinação de roupas. Como se lançassem a cada 6 meses uma nova cartilha obrigatória do que vestir. E isso não tem nada a ver com vestir-se de maneira comum ou ousada: sempre tem as cópias baratas. Eu às vezes tenho sensação de sair na rua ou ir a uma festa e me deparar com as mesmas pessoas sempre.

Só eu tô cansada de ver saia de cintura alta preta+regata branca+cabelão liso loiro mil tons com franja de lado+ pose torta com a mão na cintura   (eu até ia postar fotos, mas melhor não, hehehe mas vocês devem imaginar exatamente do que eu tô falando)? Ou então aqueles metidos a alternativos com suas camisas xadrez+ óculos wayfarer+franjas+ calças skinny? se são alternativos e diferentes, pq tenho impressão de que são todos a mesma pessoa quando vejo pela rua?

Estilo vai além de copiar pessoas de outros países, de ter peças de marcas caras, de ter todas as tendências da próxima estação.
Não sei se sou a melhor pessoa para definir mas, estilo p/ mim é o que a pessoa faz com tudo isso. É receber um leque de opções e escolher o que usar, como usar, o que customizar… O que ela absorve das informações que tem acesso, em filmes, músicas, pinturas, dança, folclore, etc. É aquele toque pessoal que seja carregado de sentido: de vivências, experiências, desejos. E esse toque não se vende.

Então vamos acabar com a industria da moda e viva a anarquia? Nada disso. Existe p/ isso o auto controle. E é exercitando que chegamos ao equilíbrio. Ter acesso a coisas legais é bom, mas será que é realmente preciso comprar uma peça que só vai usar uma vez? Será que é realmente válido comprar aquela roupa que te deixa parecendo um balão ou um pirulito só pq “é tendência”?  Será que andar por aí parecendo xerox by C&A dos outros é válido? Benhê, tu pode ser pobre mas não precisa ser imitação barata de ninguém!
Não nos esqueçamos que capitalismo pode trazer muitas coisas que nós gostamos, mas é sempre com uma persuasão enorme. Não, querid@, o capitalismo não te ama, não quer te ver feliz e não é a solução dos seus problemas. Ele vai se aproveitar de você e de suas fraquezas e desejos sempre que puder. Então, quando você não está ciente disso, sucumbe e vira vassalo. Se torna mais um dos produzidos em série (a série dos comuns, a série dos diferentes,mas ainda assim, em série). Como lidar com isso? basta auto-controle e uma visão menos romãntica: as coisas são ofertadas o tempo todo, e de uma maneira que nos dá extrema necessidade de tê-las (é bom que haja essa oferta e opções), mas só nós podemos definir a real necessidade daquilo.

E tu, que pensas sobre fast fashion?