O que te inspira?

O que é criatividade? Já nasce com a pessoa? pode ser desenvolvida? vou morrer sem criatividade?

Explicando behavioristicamente, todo comportamento é explicado com base na filogênese (história evolutiva da espécie), ontogênese (a biografia do indivíduo) e a cultura que ele está inserido, o contexto.
A criatividade está inserida nisso. Pq algumas pessoas parecem ter mais que outras? isso depende de  todo o repertório dela, do ambiente que ela está inserida. Muda-se o ambiente, mudam os comportamentos. Talvez por isso eu veja algumas pessoas dizerem que em encontros de artes, por exemplo, elas se veem muito mais inspiradas e motivadas a desenhar. Como se o espírito artístico saísse das obras e entrasse nas pessoas.

O conceito exato de criatividade eu não vou dar, existem inúmeros! Ainda mais por ser algo tão comum no nosso dia a dia acabamos não conceituando exatamente o que é, apesar de termos ideia. Responda ae, o que é criatividade?

No trecho seguinte Skinner fala sobre o acaso:
“Que o acaso pode desempenhar um papel na produção de qualquer coisa importante como a matemática, a ciência ou a arte foi questionado com frequência. (…). Ainda assim, todas as biografias de escritores, compositores, artistas, cientistas, matemáticos e inventores revelam a importância de acidentes na produção do comportamento original. O conceito de seleção é novamente a chave.”  (Skinner, 1974, p. 114).

“podemos não gostar de creditar qualquer aspecto de uma pintura bem-sucedida ao acaso (chance)[…] mas se estivermos dispostos a admitir que o acaso (chance) faz uma contribuição, podemos dar passos para aprimorar as casualidades (chances)” (Skinner, 1999b, p. 386).

Vemos que o acaso (chances) é fonte da produção de variação de comportamento. E essa variação é o comportamento novo ou criativo. Então, será possível aumentar a probabilidade desses comportamentos criativos? Sim! basta mimetizarmos o acaso, camuflar.
“o papel do acaso (chance) pode ser assumido, e ampliado, por um arranjo deliberado […] podemos aprender não apenas a tirar proveito dos acidentes […], mas a produzi-los”(Skinner, 1968, p. 180)

Comassim produzir acaso? Pensemos, o que é acaso? é aquela coisa que parece que apareceu do nada, brotou do chão, caiu de outra dimensão, como se afrouxasse o link entre os antecedentes as respostas e as consequências da mesma. Ae é a brecha por onde um novo comportamento pode aparecer. Produzir o acaso é minimizar o controle sobre o ambiente e incentivar perturbações no mesmo.(Laurenti, 2009)

Mas lembremos, isso apenas aumenta a probabilidade de uma resposta criativa, mas não é determinante. Estar sensível à essas perturbações também é muito importante, por exemplo.

Com esse negócio de acaso, me lembrei de uma palavra que muito gosto: serendipity. Essa palavra foi  criada pelo escritor britânico Horace Walpole em 1754, a partir do conto persa infantil Os três príncipes de Serendip (é bem interessante). Significa mais ou menos um “feliz acidente” ou “descobertas afortunadas feitas ao acaso”, coisa que é muito vista em ciência, (“EUREKA!”). É um pouco do que falei antes tudo resumido haha. Chama a atenção para o fato de que criatividade e inspiração dependem de todo um contexto para acontecerem, por mais que pareça vindo do nada, só parece.
Aqui vídeo que mostra como o tempo que dispomos influencia as nossas respostas (e é notável que tendo mais tempo ficamos mais propícios a dar respostas criativas).

Dizem que quem quer escrever tem que ler. Para inspirar-se e ser criativo é assim. Temos que jogar uma pedra no rio para causar ondulações.Ter informações e conhecimento para associar com novas ideias.
Uma boa dica,por exemplo, para quem desenha e fotografa é observar. Observar tudo ao redor. Os formatos, as disposições, as cores, as coisas feitas por outras pessoas. É a síntese disso tudo  (e do que falei no início) que vai te ajudar a, quando o ambiente for perturbado e o”acaso” aparecer, perceber e tirar proveito desses acidentes.

Uma foto de uma folha do meu sketchbook (:

Referências Bibliográficas

LAURENTI, Carolina. Criatividade, liberdade e dignidade: impactos do darwinismo no behaviorismo radical Carolina Laurenti. Sci. stud. [online]. 2009, vol.7, n.2 [citado  2012-01-31], pp. 251-269 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-31662009000200006&lng=pt&nrm=iso&gt;. ISSN 1678-3166.  http://dx.doi.org/10.1590/S1678-31662009000200006.

SKINNER, B F. Creating the creative artist. In: Vargas, J. S. (Ed.). Cumulative record: definitive edition. Acton: Copley Publishing Group, 1999b [1970]. p. 379-90.

SKINNER, BF. About behaviorism. New York: Alfred A. Knopf, 1974.