vai um alisante aí?

(pH do conteúdo- 4)
Um dia a gente acorda e vê que o mundo tá estranho. Percebe que as pessoas tão olhando diferente, tão exigindo mais coisas, tão enfiando ideias goela abaixo sem perguntar se o gosto é bom.
P/ alguns esse dia é mais cedo, p/ outros mais tarde. Alguns superam, outros sucumbem, mas dificilmente ninguém é afetado.

Onde as pessoas aprendem a ser tão cruéis quando alguém está fora do padrão? Aprendem nas experiências que têm, no que é socialmente reforçado.
Aqui vou falar só de um dentre os tantos padrões: o cabelo.

Não vou fazer biografia, não está entre as piores histórias sobre.
Mas nesse dia que a gente acorda e vê o mundo estranho reparamos nas revistas de beleza, e vê o quanto ela tenta ao máximo nos afastar do ideal para que cada vez mais a corrida pelo objetivo seja mais acirrada. E é. Aí a gente se vê no meio de tantas soluções para problemas que não temos, tantas promessas de salvação para uma perdição que não existe.
E a gente começa a reparar nas peles claras, nos narizes finos, nos cabelos loiros e lisos, maquiagem, e, principalmente, nos homens lindos que fazem questão de colocar do lado, de brinde. E é um “homens gostam disso” “homens preferem aquilo” mas, e desde quando homem tem seu manual de instruções escrito em revistas femininas? Pediram autorização para falar por todos? Se o que é dito lá não representa a todos os homens, quem lhes deu direito para produzir mulheres em série?

Eu cedo reparei nisso, nesse desejo machista de revistas femininas, travestidas de feministas, de transformar as mulheres em bonecas infláveis perfeitas em tudo prontas para satisfazer todos os desejos sem ao menos se perguntarem se é aquilo que desejam. É dizer: vocês devem ser modernas, mas precisamos que sejam submissas aos homens, precise de um ou de vários e, acima de tudo, odeie as outras mulheres,elas querem roubá-los de você. Bem, a maioria aprende direitinho e acabam realmente virando esses seres odiáveis.

Alise seu cabelo. Parece a venda de um lugar num suposto paraíso: o das mulheres (supostamente) invejadas. “eu tenho a solução para o volume do seu cabelo” e desde quando eu considero isso um problema? E as coisas que eu nunca ouvi mas incontáveis pessoas tiveram que ouvir? cabelo duro, bombril, ruim e afins. A resposta é: sim, e daí?
Nós não prestamos atenção a tudo que está a nossa volta, somos seletivos. Se você reparou num cabelo crespo e foi como que uma protestante tentar “evangelizar” a pessoa para a ordem dos cabelos lisos escorridos, tem certeza que num tem coisa mais produtiva para dedicar a atenção? É, pq se o cabelo num tá interferindo na sua vida, qual o sentido disso? dar atestado de insuportável como gente batendo na nossa porta domingo de manhã p/ nos contar historinhas que não pedimos p/ ouvir?

Por isso, que tal termos o mínimo de liberdade de escolher o que fazer com o cabelo? Sim, pq levantar bandeira “no straight hair” ou “yes natural” seria igualmente ridículo.
Querid@s, libertem-se! seja com cabelos azuis, roxos, lisos, cacheados, alisados, pretos, luzes, loiros, ruivos, saudáveis, pontas duplas, curtos, compridos, o que for, use seu cabelo de forma que isso reflita seu estado de espírito e não simples sujeição às pressões sociais infundadas.

E você, já passou por essa “repressão cabelística”?

desenhos meus (: